Lei.A indica: seis unidades de conservação para visitar em MG

Estado conta com mais de 600 áreas protegidas. 

Visitar estes espaços é uma forma de incentivar o poder público a
investir em cuidados e proteção para áreas verdes. 

Minas Gerais é um estado conhecido pela paisagem montanhosa, pelas curvas de um território onde chapadas, planícies, cachoeiras, cavernas, veredas, florestas, áreas secas e grandes rios convivem. Grande parte dessas belezas naturais está protegida por lei, isto é, resguardada em unidades de conservação (UCs), áreas preservadas por possuírem características ambientais importantes para a sociedade e para a natureza. 

São doze categorias definidas, divididas em dois grupos, pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), com diferentes critérios de gestão e manejo. Em 1944, constituiu-se a primeira unidade de conservação de Minas Gerais, o Parque Estadual do Rio Doce, criado com o propósito de preservar importantes áreas de Mata Atlântica. Ao transformar esses lugares especiais em espaços protegidos, os principais objetivos são: garantir a conservação da diversidade biológica, garantir a proteção dos recursos naturais e amparar as comunidades tradicionais que vivem inseridas ou ao redor dessas áreas, juntamente com seus conhecimentos e suas culturas. 

Segundo a plataforma da Infraestrutura de Dados Especiais do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IDE-Sisema), atualmente o Estado de Minas Gerais possui 635 unidades de conservação. Esse número considera as unidades municipais, estaduais e federais, tanto de Proteção Integral quanto de Uso Sustentável, além das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

Visitar as unidades de conservação é uma forma de agir em defesa desses lugares. Dessa maneira, é possível ver de perto a diversidade da fauna e da flora, conhecer a estratégias utilizadas na conservação dessas áreas, desfrutar da experiência de se ter contato com o ar puro e com todas as belezas e a tranquilidade que esses espaços proporcionam. Ocupando essas unidades de conservação, as pessoas mostram ao poder público que faz sentido investir no cuidado com esses espaços. 

Para incentivar a aproximação da sociedade com as unidades de conservação em Minas, listamos seis delas em um roteiro especial que convida quem quer conhecer um pouco mais dos quatro cantos de um estado cheio de surpresas: 

Mapa mostra unidades de conservação federais, municipais e estaduais de MG.

 

Região Central 

A beleza poética do Parque do Rola-Moça

O Parque recebeu esse nome inspirado em um “causo” imortalizado por Mário de Andrade em um poema. A narrativa conta a história de um casal que, logo após a cerimônia de casamento, cruzou a serra de volta para casa. No caminho, o cavalo da moça escorregou no cascalho e caiu no fundo de um abismo. O marido, desesperado, esporou seu cavalo ribanceira abaixo e “a Serra do Rola-Moça, Rola-Moça se chamou”.

A área protegida é uma das mais importantes do estado e está localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte – incluindo os municípios de Nova Lima, Ibirité e Brumadinho. Trata-se do terceiro maior parque de área urbana do país e abriga algumas das fontes de água que abastecem a capital mineira e municípios da Região Metropolitana. Estes mananciais se chamam Taboões, Rola-Moça, Bálsamo, Barreiro, Mutuca e Catarina. Para assegurar a proteção dessas preciosidades, estas áreas do Parque do Rola-Moça não estão abertas à visitação pública.

Os 4 mil hectares, o equivalente a 5.611 campos de futebol, estão situados numa zona de transição de Cerrado para Mata Atlântica, e são o habitat natural de espécies da fauna ameaçadas de extinção, como a onça parda, a jaguatirica, o lobo-guará, o gato-do-mato, o macuco e o veado campeiro. Quem visita, também tem a chance de ver de perto uma vegetação diversificada, que proporciona ao Parque um colorido especial e um relevo peculiar. Durante o passeio, é possível ver orquídeas, bromélias, candeias, jacarandás, cedro, jequitibá, arnica e canela de ema, planta considerada o símbolo do lugar. 

A área protegida também guarda um pôr do sol especial, diversos mirantes, trilhas e cachoeiras, contando com uma boa estrutura para receber quem vem de fora. 

A entrada do Parque fica na Av. Montreal- no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima. O telefone para mais informações é (31) 3581-3523. 

 

 

Região Central Norte      

Parque do Sumidouro e as histórias de Minas 


O nome tem origem na palavra indígena “Anhanhonhacanhuva”, que significa “água parada que some no buraco da terra”. Isso tudo porque o Parque tem uma lagoa onde a água vai e volta, de acordo com a época do ano. 

O lugar é especial não só pela inquestionável beleza natural que preserva, mas também por guardar um pouco da história de Minas. Prova disso é a Casa Fernão Dias, um patrimônio cultural tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) que faz parte do espaço. Restaurado, o casarão resgata a história do bandeirante Fernão Dias que, por alguns anos, se instalou ali com sua tropa em busca de ouro e pedras preciosas. Hoje em dia, funciona como um dos pontos de apoio administrativo e turístico da unidade de conservação. 

Para quem gosta de aventura, o Parque conta com diferentes opções de escaladas e trilhas guiadas. Durante a caminhada, é possível sentir a umidade típica de uma vegetação que mistura Cerrado e Mata Atlântica. Por ali, espécies como ipê-amarelo, ipê-roxo, moreira, aroeirinha, jatobá-do-campo, gabiroba, manjoba, mutamba e faveiro são vistas com facilidade pelos caminhos. E para quem gosta mais ainda de história, o Sumidouro conserva 53 cavernas e 157 sítios arqueológicos. Na Lapa do Sumidouro, por exemplo, é possível ver de perto as pinturas rupestres, com registros feitos por quem vivia em harmonia com a natureza selvagem há milhares de anos atrás. Também é possível conhecer um sítio arqueológico de importância mundial, escavado pelo conhecido naturalista Peter Wilhelm Lund, no século XIX. 

A visitação ocorre de terça-feira a domingo, de 08:30 às 16h, com permanência até às 17h.

Portaria Museu Peter Lund / Gruta da Lapinha: (31) 3689 8592 / (31) 3689 8585 / (31) 3689 8575 / (31) 3689 8037

Endereço: Rodovia AMG 0115, estrada Campinho-Lapinha, Km 6. Lagoa Santa / MG

pesumidouro@meioambiente.mg.gov.br

agendamentopesumidouro@gmail.com

www.facebook.com/parquesumidouro

 

Região Central Sul

Parque do Itacolomi, o “farol dos bandeirantes”

Transformado em 1967 em unidade de conservação, o Parque do Itacolomi segue sendo o lugar exuberante que chamou a atenção das expedições em busca de riquezas do século XVIII. Naquela época, a famosa pedra do pico era usada como ponto de referência pelos bandeirantes que estavam explorando as montanhas de Minas. Por esse motivo, foi apelidado de “farol dos bandeirantes”.

Quem sobe até o pico, uma caminhada de pouco menos de duas horas a 1700 metros de altitude, pode ver lá de cima um amplo horizonte, alcançando as cidades de Ouro Preto, Mariana, a represa de Lavras Novas e até uma parte da Serra do Caraça. As trilhas são autoguiadas, com sinalizações durante todo o caminho. 

Nas matas do Parque predominam as quaresmeiras e candeias ao longo dos rios e córregos. Nas partes mais elevadas aparecem os campos de altitude, onde se destacam as gramíneas e canelas de emas. O lugar abriga diversas nascentes, escondidas nas matas, que deságuam, em sua maioria, no rio Gualaxo do Sul, afluente do rio Doce. 

Diversas espécies de animais raros e ameaçados de extinção podem ser encontradas na unidade de conservação, como o lobo guará, a ave-pavó, a onça parda e o andorinhão de coleira (ave migratória). Também podem ser vistas espécies de macacos, micos, tatus, pacas, capivaras e gatos mouriscos. E os passarinhos também estão presentes no Parque, já que mais de 200 espécies de aves, como beija-flor de gravata verde, beija flor rubi, choca da mata, rabo mole da serra, maria preta da garganta vermelha e muitos outros fazem casa por ali. 

Quem visita o Parque também pode conhecer o Museu do Chá, situado na antiga Fazenda José do Manso, lugar conhecido por ser pólo produtor de chá na primeira metade do século XX. 

O Parque também abriga o complexo de cachoeiras da Serrinha com lindo cenário, quedas d’água e piscinas naturais onde o visitante poderá se banhar e contemplar a paisagem.

O Parque está localizado na BR-356, Km 98 – Bauxita, Ouro Preto – MG, 35400-000. Para mais informações é só ligar (31) 3551-6193 ou mandar um e-mail para peitacolomi@meioambiente.mg.gov.br

 

Mantiqueira / Zona da mata

Bons ventos, grutas e cachoeiras no Parque Estadual do Ibitipoca 

Não é à toa que o Parque Estadual de Ibitipoca é um dos mais visitados de Minas Gerais. São 1.500 hectares de área protegida, o mesmo que 2.100 campos de futebol. Para garantir a proteção da área, mantendo sua tranquilidade, por dia, somente é permitida a entrada de no máximo 600 pessoas. 

Para receber tanta gente que vem de longe, o espaço se modernizou, contando com centro de informações, restaurante e camping. São três as opções de circuito para quem quer fazer as trilhas, todas devidamente sinalizadas para quem quiser ir por conta própria. Existem alternativas de caminhadas mais pesadas e até trilhas que contam com passagem por águas bem calmas, ideais para quem vai com crianças. 

Um dos pontos altos do Parque é a famosa Janela do Céu, localizada acima de uma cachoeira de 20 metros, onde correm águas douradas vindas do Rio Vermelho. Nesse lugar, é como se uma moldura natural abrisse alas para a paisagem composta de montanhas, água e vegetação.

A vegetação rupestre conta com uma variedade de espécies adaptadas ao clima frio, devido à altitude. Mas o cenário também exibe fendas, sombras e enormes paredões de pedra. Existem diversas grutas catalogadas no Parque, como a Gruta dos Fugitivos, que recebeu esse nome por ser o lugar de refúgio de negros escravizados. Já a Gruta dos Três Arcos tem 30 metros de extensão, espaço onde se pode caminhar com a ajuda das luzes que entram pelas fendas. 

Para chegar, você precisa ir até a Vila de Conceição do Ibitipoca, que fica a três quilômetros da portaria do Parque. Se precisar de mais informações, ligue (32) 3281 1101 ou envie um e-mail para peibitipoca@meioambiente.mg.gov.br.

 

Jequitinhonha

Águas, paredões e pinturas rupestres são destaque no Parque do Rio Preto 

Antes, a região era destino certo de garimpeiros. Hoje em dia, atrai turistas pela fauna e pela flora conservadas e por guardar tesouros históricos, como pinturas rupestres e paredões de quartzo. O Parque Estadual do Rio Preto fica no município de São Gonçalo do Rio Preto, distante 70 quilômetros de Diamantina, e desperta a atenção logo na entrada com sua estradinha de terra vermelha e árvores de caule retorcido. A unidade de conservação está inserida no complexo da Serra do Espinhaço e foi o primeiro a receber o marco de referência da Estrada Real – que vai de Parati a Diamantina. 

O relevo acidentado, repleto de rochas de quartzo, forma belíssimos painéis naturais, que podem ser vistos por quem visita a área protegida que possui 12.184 hectares. São diversas nascentes pelos caminhos, dentre as quais se destaca a do rio Preto, um dos mais importantes afluentes do rio Araçuaí, afluente do rio Jequitinhonha. Os recursos hídricos privilegiados favorecem a formação de cachoeiras, piscinas naturais, corredeiras, sumidouros, cânions e praias fluviais com areias brancas – todas abertas à visitação.

Entre os atrativos turísticos, destacam-se as cachoeiras do Crioulo e da Sempre Viva, as pinturas rupestres e os mirantes naturais, que permitem aos visitantes observar toda a área da unidade e do entorno. A paisagem conta com uma cobertura vegetal composta, na maior parte, por cerrado e campos de altitude. São inúmeras as espécies vegetais existentes na área, com destaque para o monjolo, pau pereira, candeia, sucupira, pau d´óleo, peroba, ipê, araticum, carvalho e várias espécies de sempre-vivas.

A fauna é igualmente rica, com a presença de diversas espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o tatu canastra e a jaguatirica. O parque oferece 12 alojamentos, simples, mas confortáveis, para até 52 pessoas. Há também área de camping para 30 barracas. De quinta-feira a domingo, o restaurante serve comidas mineiras.

O parque está aberto de terça à domingo, de 7h às 17h. Para chegar é preciso ir a São Gonçalo do Rio Preto e, de lá, seguir 14 quilômetros  até a portaria do Parque. A estrada é de terra batida e bem sinalizada.  Para mais informações, ligue (38) 99765621.

 

Região Leste

O lago mais profundo do Brasil no Parque do Rio Doce 

A mata fechada faz com que seja quase impossível ver de longe os pontos onde não há vegetação nesse lugar que abriga a maior floresta tropical de Minas Gerais. O Parque fica na região do Vale do Aço, inserido nos municípios de Marliéria, Dionísio e Timóteo e abrange 35.970 hectares de área preservada. 

Pelos caminhos, árvores centenárias, madeiras nobres de grande porte e uma infinidade de animais nativos compõem um cenário que exige calma e atenção por parte de quem quer ver as espécies raras que vivem ali. 

O lugar também é conhecido pela quantidade de água que guarda. São 42 lagos naturais, sendo que um deles é considerado o maior e mais profundo do Brasil. As lagoas abrigam uma grande diversidade de peixes, que servem de importante instrumento para estudos e pesquisas da fauna aquática nativa, com espécies como bagre, cará, lambari, cumbaca, manjuba, piabinha, traíra, tucunaré, dentre outras. 

Com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a lama de resíduos que desceu pelo Rio Doce não afetou o Parque, já que o rio passa na fronteira da unidade de conservação, e não internamente. 

Existem alojamentos e campings disponíveis dentro do Parque para quem quer ficar imerso nessa área verde cheia de surpresas. A visitação acontece de terça a domingo, das 8h às 17h. O endereço para quem quer chegar é MG 760, Santa Rita de Marliéria. Para mais informações, ligue (31) 3824-6146

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