Lei.A indica: seis projetos agroecológicos de sucesso em MG

Muitas pessoas estão fazendo acontecer com iniciativas ambientalmente
e socialmente responsáveis no Estado

Listamos abaixo algumas dessas ações para inspirar novas ideias

 

Na última terça-feira (17/9), o Ministério da Agricultura registrou a autorização de mais 63 agrotóxicos. Com isso, o total de agrotóxicos liberados no Brasil chega a 325, superando o volume do mesmo período de 2018, quando houve 309 registros, fazendo esse ser um dos temas do momento no setor ambiental. 

Com o avanço de políticas e propostas de leis que impactam diretamente os solos, as florestas e as águas do país, divulgamos, nos últimos meses diversos conteúdos sobre o uso de agrotóxico em Minas Gerais. Falamos sobre projetos de lei em tramitação na Assembleia Legislativa, demos dicas de conteúdos para quem quer se aprofundar na temática da agroecologia e divulgamos a série especial “Caminhos do Agrotóxico”.

Mesmo em um contexto não favorável, Minas Gerais também tem se mostrado um Estado onde projetos, com práticas contrárias ao uso de substâncias tóxicas na agricultura, ganham espaço, voz e força. Pela ação de pessoas e entidades muitos deles se consolidam, possibilitando a existência de uma sociedade ambientalmente e socialmente responsável. 

Listamos seis desses projetos, em diferentes formatos e localidades, que acontecem atualmente em Minas Gerais. Essas e outras tantas iniciativas indicam que há caminhos alternativos para quem quer ter consciência da qualidade do alimento que consome. 

 

Agroecologia na cidade grande 

Você sabia que Belo Horizonte está entre as dez capitais mais verdes da América Latina e do Caribe? Esse levantamento foi feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação, que indicou também o aumento da agricultura urbana na capital nos últimos anos. Muitos desses projetos, desenvolvidos na cidade, mostram que as áreas urbanas também são  terreno fértil para a agroecologia. Prova disso é o Roots Ativa, um grupo que há onze anos atua em projetos de agricultura urbana e de educação ambiental em Belo Horizonte. O Roots tem uma sede no Aglomerado da Serra, onde trabalha com dois pontos centrais: a gestão de resíduos orgânicos e a alimentação saudável. 

Por meio de minhocários e compostagem, eles organizaram um sistema de saneamento ecológico, promovendo um serviço no qual as pessoas levam os resíduos orgânicos, pagam uma taxa, e têm esse valor parcialmente revertido em adubo. Uma outra parte do adubo gerado é vendida em feiras como a Feira Terra Viva e na Feira Vrinda

Nesses encontros e em outros eventos da cidade, o grupo também vende os diversos alimentos vegetarianos e veganos que produzem. Além dessas frentes de atuação, o coletivo também realiza atividades de educação ambiental, como encontros de plantas medicinais, projetos de farmácias populares, oficinas de compostagem e minhocário e oficina de culinária vegana e vegetariana. O projeto é independente e conta com uma equipe de seis pessoas, além de diversos colaboradores. 

Acompanhe o trabalho da Roots Ativa aqui. 

 

Comunidades que sustentam a agroecologia na Região Metropolitana de Belo Horizonte 

Com o objetivo de aumentar a oferta de alimentos orgânicos e valorizar a agricultura familiar de base agroecológica, surgiram Brasil afora diversas Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA). Esse modelo de trabalho conjunto entre produtores de alimentos orgânicos e consumidores, consiste na seguinte dinâmica: um grupo fixo de consumidores se compromete por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola. Em contrapartida, os consumidores recebem os alimentos produzidos pelo sítio ou fazenda sem outros custos adicionais. Desta forma, o produtor, sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de forma livre à sua produção. E os consumidores recebem produtos de qualidade, sabendo quem os produz e onde são produzidos. 

O Sítio das Mangueiras é um dos lugares que integra esse sistema, onde se trabalha com plantio de agroflorestas com foco em produção de hortaliças e frutas. Atualmente, são 7.000 m² plantados, o equivalente a um campo de futebol, tendo a produção vendida, além de direcionar seus produtos para o CSA Nossa Horta, em feiras da cidade. Lucas Machado, agrônomo e agricultor responsável pelo sítio, conta com mais quatro pessoas na equipe que trabalha no sítio. Juntos, além do preparo, plantio e manejo da terra, o grupo atua na produção e na formação em Sistemas Agroflorestais, ministrando cursos, oficinas e vivências práticas. Mais informações sobre as atividades desenvolvidas pelo grupo podem ser encontradas no site.

 

 

Agroflorestas na Zona da Mata mineira, cultivo sem desmatamento

A Zona da Mata mineira, região formada por 142 municípios, onde 134 (94,4%) possuem até 50 mil habitantes, tem hoje uns dos melhores cafés do Brasil. Ali, agricultores produzem há anos o café, junto com outros cultivos, em áreas intensamente arborizadas, sem nenhum tipo de veneno. Essa é uma forma local de enriquecer o solo para a produção agrícola, usando apenas recursos naturais, sem a devastação da mata. 

Por causa dessa forma de produção, em dezembro de 2018, a região tornou-se  Polo de Agroecologia e Produção Orgânica após aprovação do Projeto de Lei 4029/2017. 

Por meio de cooperativas, os produtores de alguns desses municípios exportam seus produtos atualmente para países como Estados Unidos, Alemanha e Japão. 

Mais informações sobre o tema são encontradas no site do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata CTA – MG, uma organização da sociedade civil que há mais de 30 anos promove a Agroecologia na região (link).

 

Sistema agroflorestal em Pedra Redonda, município de Araponga-MG Fonte: Arquivo CTA-ZM

 

Sistema agroflorestal com café com abacate em Araponga –MG Fonte: Arquivo CTA-ZM

 

Extrativismo no Norte de Minas: uso de espécies nativas para produzir alimentos

No Norte de Minas Gerais encontra-se uma significativa diversidade sociocultural: caatingueiros, indígenas, quilombolas, vazanteiros e geraizeiros. Ali, a experiência de valorizar e comercializar produtivos nativos dentro dos princípios da agroecologia se tornou referência. Estima-se uma área plantada de mais de 740.000 hectares, o que representa a maior área de produção agroecológica brasileira.  Em municípios como Montes Claros e Porteirinha, homens e mulheres fazem uso de espécies nativas para produzir alimentos, cuidam da multiplicação de suas sementes e da preservação dos cursos d’água e nascentes. Destaca-se na região o trabalho da Cooperativa Agroextrativista Grande Sertão, em parceria com o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA). 

Atualmente, famílias de 17 municípios beneficiam e comercializam variedades de polpa de frutos do cerrado e da caatingas (ao todo são 18 espécies comercializadas, como araticum, cagaita, murici, entre outras), além do óleo e polpa congelados de pequi, rapadura, farinha e mel, dentre outros alimentos. A cooperativa também articula a compra e venda de sementes que saem dos assentamentos e comunidades rurais e são disponibilizadas para agricultores de outras comunidades, que assumem o compromisso de preservar as variedades. 

Famílias do norte do Estado beneficiam e comercializam variedades de polpa de frutos do cerrado e da caatingas Fonte: Arquivo CAA

 

Mais informações sobre a experiência pode ser encontradas no site do CAA (link)

 

Feiras Agroecológicas 

Quer encontrar alimentos saudáveis, sem adição de agrotóxicos? Que tal conhecer as feiras de alimentos orgânicos e agroecológicos? Elas são uma ótima alternativa da compra direta de alimentos do produtor, pois diminuem intermediários no processo e, consequentemente, o preço. Esses espaços, geralmente antigos e que ainda resistem em alguns municípios, precisam de consumidores para se fortalecerem.  

Existem várias feiras de alimentos agroecológicos espalhadas pelo Estado. Uma delas acontece quinzenalmente na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Realizada nos meses letivos, a Feira ocorre às quartas-feiras, na primeira e na terceira semana do mês, das 9h às 17h, na Praça de Serviços do Campus Pampulha. Cerca de 50 produtores de segmentos variados expõem no local. Ali se encontram frutas, hortaliças, plantas medicinais, mel, pães, bolos e doces, conservas e geleias, entre outros. 

Mais informações podem ser encontradas na página do Departamento de Gestão Ambiental – PRA – UFMG, que é uma das organizadoras da feira.

A Feira Agroecológica da UFMG fica longe da sua casa? Conheça o Mapa de feiras orgânicas e agroecológicas do país.  O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) – uma ONG que luta pelos direitos de consumidores-cidadãos – criou uma ferramenta de busca que disponibiliza um  mapa de feiras orgânicas e agroecológicas em todo o Brasil (link). O mapa pode te ajudar a ter acesso aos locais que comercializam alimentos sem agrotóxicos.  

 

No mapa produzido pelo IDEC, além de Feiras Orgânicas ou Agroecológicas você encontra:

 Comércios Parceiros de Orgânicos, que consistem em iniciativas que ocorrem diretamente entre consumidor e agricultor ou com apenas um intermediário.

– Grupos de Consumo Responsável, sendo estes consumidores organizados que, juntos, propõem comprar produtos de uma forma diferente da que ocorre no mercado tradicional, pois agregam preocupações com as questões sociais, ambientais e de saúde, da produção até o consumo. O propósito desses grupos é fomentar o consumo diretamente do produtor, seja simplesmente através da aquisição de cestas de alimentos orgânicos ou do financiamento dos produtores. Estes grupos têm sido chamados de Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA). Alguns deles se comprometem por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola de determinadas propriedades rurais. Em contrapartida os consumidores recebem os alimentos produzidos ali sem outros custos adicionais.

 

#Aja

E você, participa ou conhece alguma experiência de agroecologia em Minas Gerais? Divulgue para que outras pessoas conheçam! Pretendemos construir outras listas de projetos agroecológicos que estejam consolidados e você pode ajudar enviando propostas para o Lei.A, seja nos comentários do nosso blog ou nas nossas páginas do Facebook e Instagram.  

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