Febre amarela: a culpa não é dos macacos! Eles podem te ajudar e você pode ajudar a salvá-los

O surto de febre amarela tem levado a diversos atos de violência contra os primatas, que não transmitem a doença. Entenda como a conservação destas espécies pode, na verdade, salvar a vida de quem você ama. Matar animais é crime!

Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala, no leste de Minas Gerais, restaram apenas 12 de 500 macacos bugios. A grande maioria morreu de febre amarela e o receio de autoridades é que os demais possam agora morrer vítimas de pauladas e pedradas. Desde a eclosão do surto de febre amarela, uma onda de desinformação tem levado a atos de violência contra primatas em todo o país. A maior parte das agressões é cometida por pessoas que matam os macacos por medo de contágio, achando que isso ajudará a combater a febre amarela. Essa informação é falsa, já que os macacos também são vítimas dos mosquitos e não transmitem a doença para seres humanos.

Mas tem como ajudar a salvar os macacos, que, no fundo, acabam ajudando a salvar vidas. Veja abaixo como agir para proteger os macacos e também o que fazer quando encontrar um primata morto na sua região.

 

Os macacos são aliados!

Além de não serem uma ameaça, os macacos representam um alerta às autoridades quanto à incidência de febre amarela em áreas silvestres. Isso porque esses animais também são vulneráveis ao vírus. A detecção de infecções em macacos ajuda na elaboração de ações de prevenção da doença em humanos.

“Eles servem como anjos da guarda, como sentinelas da ocorrência da febre amarela”, explica Renato Alves, gerente de vigilância das Doenças de Transmissão Vetorial do Ministério da Saúde. “É importante que a gente mantenha esses animais sadios e dentro do seu ambiente natural porque a detecção da morte de um macaco, que potencialmente está doente de febre amarela, pode nos dar tempo para adotar medidas de controle para evitar doença em seres humanos”, explica.

“Temos cinco espécies [de primatas] mais suscetíveis à doença e a principal delas é o bugio. Em 2015, mais de 2 mil bugios morreram de febre amarela apenas no Espírito Santo. Então isso é uma ameaça muito grande para a existência dessas espécies”, explicou ao Lei.A a pesquisadora da Fiocruz Minas Cristiana Brito.

 

Como ajudar a salvar os macacos

Veja também como agir quando encontrar um macaco morto ou doente

Caso a população encontre macacos mortos ou doentes, deve informar o mais rapidamente possível ao serviço de saúde do município ou do estado onde vive ou pelo telefone 136. Uma vez identificados os casos, o serviço de saúde coletará amostra para laboratório e avaliará:

  • Se além desse animal que foi encontrado existem outros 
  • Se as populações de primatas da região ainda são visíveis e estão integrados 
  • Se foi uma morte isolada 
  • Se, de fato, é uma ocorrência que atingiu um número maior de primatas.

Além disso, é possível denunciar a matança ou maus tratos de macacos pela Linha Verde do Ibama (0800 61 8080). Na denúncia, podem ser encaminhados vídeos e fotos que auxiliem na identificação do crime e de quem o cometeu, por meio do e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br.

Matar animais é considerado crime ambiental pelo artigo 29 da lei 9.605/98. De acordo com a legislação, “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente ou em desacordo com a obtida” pode gerar pena de seis meses a um ano de detenção, além de multa.

Incidência na Mata Atlântica

No bioma da Mata Atlântica, onde incide a febre amarela, encontram-se primatas ameaçados de extinção, entre eles o bugio, o macaco-prego-de-crista e os muriquis do sul e do norte. O macaco bugio-marrom, ainda encontrado em Minas Gerais, é uma das duas espécies que vivem no Brasil incluídas na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo. A outra espécie é o macaco-caiarara, encontrado apenas na Amazônia. 

Segundo especialistas consultados pelo Lei.A, a imunização seria uma possibilidade para proteger espécies especialmente ameaçadas de primatas. Mas ainda não há pesquisas capazes de determinar com segurança o efeito potencial de vacinas nestes animais. “Outra dificuldade é o modo de aplicação. A logística não é simples e requer o uso de dardos e tranquilizantes. Mas macacos em cativeiro poderiam ser imunizados”, diz o virologista da Fiocruz, Pedro Alves, para quem uma ação deste tipo ainda requer mais pesquisas para garantir a segurança dos próprios animais.

 

Saiba mais sobre a febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa que pode levar à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente. Todos os casos registrados recentemente no Brasil são do tipo silvestre. Isso quer dizer que a transmissão ocorreu pela picada dos mosquitos Haemagogus ou Sabethes, que vivem predominantemente em áreas silvestres e de matas.

Segundo as autoridades sanitárias, os casos de febre amarela no Brasil são classificados como febre amarela silvestre ou febre amarela urbana, sendo que o vírus transmitido é o mesmo, assim como a doença que se manifesta nos dois casos.

A diferença entre elas é o mosquito vetor envolvido na transmissão. Na febre amarela silvestre, os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus e os macacos são os principais hospedeiros. Nessa situação, os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada adentra uma área silvestre e é picada por mosquito contaminado. Na febre amarela urbana, o vírus é transmitido ao homem pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável por doenças como a dengue, a zika e a chikungunya.

Os sintomas iniciais incluem febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Em caso de qualquer suspeita, a recomendação é buscar uma unidade de saúde imediatamente.  

A secretaria de Saúde de Minas Gerais divulgou na terça-feira, dia 23, que 25 pessoas morreram no estado em decorrência da febre amarela desde dezembro de 2017. Ainda de acordo com o governo, 22 pessoas têm a doença e estão internadas ou já receberam alta. Oitenta e sete casos aguardam os resultados dos exames.

No sábado, dia 20, foi publicado no Diário Oficial do Estado o decreto de situação de emergência em saúde pública por causa da febre amarela em 94 dos 853 municípios. Eles ficam nas áreas de Belo Horizonte, Itabira, na Região Central de Minas Gerais, e Ponte Nova, na Região da Zona da Mata.

 

*Com informações do Portal Brasil.

 

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