Conheça projetos de conservação e valorização das águas de MG

Para finalizar a série “Águas de Belo Horizonte”, buscamos iniciativas  no estado que dão o valor merecido aos nossos recursos hídricos 

 Indicamos projetos de mapeamento de nascentes, ações culturais em cidades ribeirinhas, cicloexpedição por áreas degradadas, projetos de extensão de universidades e muito mais

O acesso à água limpa e segura é um direito humano essencial para a vida, reconhecido por resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 2010. Pensar em uma vida com recursos hídricos escassos parecia uma realidade muito distante da maioria dos moradores da capital mineira. Com os conteúdos publicados nas últimas semanas na série “Águas de Belo Horizonte”, disponibilizamos dados e informações importantes para ajudar a perceber este como um problema real de quem mora na Região Metropolitana da capital, área que abriga cerca de 30% do total de habitantes de todo o estado.

Explicamos o que são as outorgas e a importância de se compreender como funciona o sistema hídrico da região (link); Falamos de forma didática sobre os rios das Velhas (link),e do Paraopeba (link) duas bacias hidrográficas da maior importância para o abastecimento hídrico na capital e ao redor dela; Resgatamos acontecimentos recentes que influenciaram no curso e na qualidade da água dessas bacias (link); Detalhamos informações essenciais sobre o Sinclinal Moeda, estrutura geológica ameaçada por grandes empreendimentos que é imprescindível no mecanismo natural de produção de água dessa região de Minas Gerais (link);  Ainda averiguamos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais quais projetos de lei em tramitação podem influenciar decisivamente na melhoria da segurança hídrica no estado (link).

Essa causa é de todos nós e por isso, incluímos em nossos conteúdos formas de monitorar o setor público e agir em defesa das águas de Minas. Muita gente se perde ao tentar encontrar formas de colaboração na conservação dos recursos hídricos. Nessa matéria fomos em busca de iniciativas em Minas Gerais de conservação e valorização dos nossos rios.    Os projetos de diversos formatos mostram que é possível cuidar das nossas águas por meio da cultura, da educação ambiental, do apoio do setor público e da mobilização social.

 

Rios urbanos que brotam – Preservação de Nascentes Urbanas

Você sabia que o Ribeirão Arrudas e o Ribeirão do Onça tinham diversas nascentes espalhadas pela cidade que sequer eram conhecidas pela população de Belo Horizonte? O  projeto de Preservação de Nascentes Urbanas, desenvolvido pela  Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte e pelo Comitê da Bacia do Rio das Velhas, catalogou centenas delas nos últimos anos, em uma iniciativa feita a partir de recursos para cobrança do uso da água, que possibilita a realização de diversos programas voltados para a conservação de recursos hídricos.O projeto se iniciou com a realização em 2012 de um catálogo contendo 183 nascentes cadastradas na sub-bacia do Ribeirão Arrudas e 163 nascentes cadastradas na sub-bacia do Ribeirão Onça, incluindo os respectivos cuidadores. Algumas revitalizações, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tiveram um resultado especialmente bom, se destacando no sentido da apropriação do espaço pela comunidade. É o caso das nascentes na Vila Acaba Mundo, no bairro Jardim Felicidade, onde elas se tornaram um ponto de lazer para os moradores do bairro, que desde então cuidam, brincam e aproveitam os lugares onde a água brota. Já a nascente que foi recuperada na Escola Municipal Santos Dumont se tornou  referência em relação à preservação e educação ambiental por parte das crianças. Se quiser saber mais detalhes sobre o projeto, clique aqui (link).

 

Pedalando entre as águas e as histórias de Belo Horizonte- Cicloexpedição

Existem muitas formas de passear pela cidade. E por quê não pegar uma bicicleta e sair por aí desvendado o que ela guarda? Afinal, conhecer é o primeiro passo para se pensar em formas de agir e proteger. Pensando na quantidade de lugares, pessoas, histórias e rios que existem em Belo Horizonte e muitas vezes não são conhecidos pelos próprios moradores, o Projeto Manuelzão resolveu organizar regularmente a Cicloexpedição, um passeio que reúne gente interessada em ver de perto o encontro das pessoas com as águas da cidade. A  iniciativa também conta com a colaboração constante do  CBH Rio das Velhas, Urbe Urge, Coletivo Às Margens, BH em Ciclo e Bike Anjo BH. Esses cursos d´água que existem na cidade, em sua maioria, foram canalizados e tampados, ficando debaixo das ruas e avenidas da metrópole correndo sem que os moradores se aproximem deles. Os roteiros são diversos e já tiveram como protagonistas dos percursos o córrego do Leitão, o Ribeirão Izidora, o córrego Navio/Baleia, o córrego do Vilarinho e as bacias do Onça e do Arrudas. Para acompanhar quando vai acontecer a próxima Cicloexpedição, acesse a página do Projeto Manuelzão (link) e prepare a bicicleta!

 

Dentro da universidade mora uma bacia hidrográfica – Cercadinho Vivo

Em 2015, alunos e professores do curso de geografia do UniBH resolveram dar vida a um projeto de extensão que buscava resgatar informações sobre o Cercadinho, uma bacia com cursos de água correndo na região da própria universidade. Partindo do princípio da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9433/97), que define a gestão das águas como processo descentralizado e participativo, o grupo de alunos, professores e voluntários passou a pensar em mecanismos para que seus integrantes e as comunidades do entorno reconhecessem a existência e a importância desses rios para a cidade. “As pessoas só enxergam os esgotos. Com a nossa iniciativa, buscamos mostrar que é possível existir uma cidade que conviva bem com os rios, que goste deles, cuide, valorize, entendendo a importância de se ter água limpa por perto para uma qualidade de vida maior”, diz a coordenadora do projeto, Márcia Rodrigues Marques. Ao longo dos quatro anos de projeto, muitas rodas de conversa, plantios coletivos, reuniões em subcomitês de bacias hidrográficas, oficinas de educação ambiental e parcerias com outras iniciativas já foram realizadas com a comunidade. Além disso, os integrantes fazem uma análise constante das águas do córrego em diversos pontos, para acompanhar a qualidade delas. “Nesses quatro anos de projeto, os resultados comprovam que uma comunidade envolvida faz a diferença. Melhoramos a qualidade em diversos pontos do Cercadinho. Em alguns lugares, passou de ruim para médio. Em outros, de médio para bom”, explica a coordenadora. Para acompanhar os próximos eventos organizados pelo projeto, que hoje atua de forma independente, acesse a página do Cercadinho Vivo (link).

 

Cultura para comunidades ribeirinhas – Cinema no Rio São Francisco

Proteger um rio não é só cuidar de suas águas, mas também valorizar as comunidades que o cercam. Por doze anos, o Cinema no Rio São Francisco percorreu as cidades mineiras das margens de um dos rios mais importantes da América do Sul levando filmes brasileiros em um telão inflável para as comunidades ribeirinhas. Além das sessões, também eram oferecidas oficinas de fotografia e outras atrações culturais locais para quem quisesse participar desse encontro coletivo ao ar livre entre quem tem suas vidas atravessadas pelas águas do Velho Chico. O projeto também conta com uma pré-produção que organiza um pequeno documentário sobre cada uma das comunidades visitadas. O resultado é uma série de depoimentos de moradores que resgata histórias, costumes, memórias e causos sobre os lugares.  O resultado disso é visto por todos antes das sessões de filme começar, fazendo essas comunidades serem protagonistas em uma telona de cinema em uma noite inesquecível para tantos. O projeto é realizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e não conseguiu, nos últimos dois anos, captar recursos para seguir estrada, mas segue na tentativa para 2020. Acompanhe as novidades pela página do Cinema no Rio São Francisco (link).

 

Nascente Dona Júlia, uma história antiga de cuidado e gratidão

 Quando se mudou para Belo Horizonte, a dona de casa Júlia Machado, 76 anos, foi morar no conjunto Ribeiro de Abreu  onde, na época, ainda não havia acesso à água potável. Tanto para construir a casa nova quanto para sustentá-la, ela teve que recorrer a uma nascente de água a poucos metros de seu quintal. “Eu ia lá várias vezes por dia, virou uma extensão da minha casa”. A nascente, que contribui com águas limpas para o Ribeirão do Onça, que deságua no Rio das Velhas e depois no Rio São Francisco, se tornou um lugar sagrado para Dona Júlia, que passou a cuidar, limpar e proteger por reconhecê-la como principal fonte de água para toda sua família. Com o tempo, os serviços da Copasa chegaram, mas o lugar continuou sendo cuidado pela moradora. Há alguns anos, ela conseguiu cadastrá-la como “Nascente Fundamental do Ribeirão do Onça” por meio de um projeto do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, fazendo o espaço receber uma atenção especial de outros programas de proteção do Ribeirão do Onça. “Já fizemos mutirão, plantação de muda, já teve aula de educação ambiental por lá e já veio até gente de outro país visitar a nossa água. Minha relação com ela é de cuidado e gratidão, porque sempre que me faltou, pra beber, limpar ou plantar, ela me deu”. Para conhecer mais sobre os projetos de conservação do Ribeirão do Onça, acesse o site do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (link).

Produtores rurais amigos das água  – Projeto Conservador das Águas

Em Extrema, cidade emoldurada pela Serra da Mantiqueira no sul de Minas Gerais, a área rural guarda uma grande quantidade de nascentes com diversos cursos d´água. Ali, desde 2005, uma cena que parecia improvável acontece mensalmente: diversos agricultores no caixa da prefeitura recebem dinheiro pelo trabalho de conservação de suas terras.  Após vários anos de estudos e preparação, Extrema colocou seu nome na vanguarda da gestão ambiental ao criar o primeiro projeto de Pagamento por Serviço Ambiental do Brasil, o Conservador das Águas. O programa é conduzido por instituições que, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), viabilizam recursos técnicos e financeiros para a revitalização ambiental de bacias hidrográficas de importância estratégica para a região em que estão inseridas. O projeto parte do princípio de que os produtores rurais têm papel fundamental na economia do país e na conservação das águas, da fauna e da flora. Com os recursos fornecidos mensalmente a esses produtores e com o auxílio técnico oferecido pelo projeto, é possível que eles invistam em cuidados essenciais para a preservação  das águas. A remuneração, além de pagar o tempo gasto com as atividades, permite a construção de terraços, barraginhas, readequação de estradas rurais, recuperação e proteção de nascentes, reflorestamento e manutenção de reservas florestais. Premiado nacional e internacionalmente, o Conservador das Águas foi o primeiro projeto a ser implementado utilizando a metodologia do Programa Produtor de Água. Essa iniciativa continua em operação nos dias atuais expandindo suas ações, inclusive, para outros municípios de toda a Serra da Mantiqueira. Se quiser conhecer mais detalhes, é só acessar o site do programa (link).

 

Multiplicando águas com as barraginhas

A Serra do Cabral, localizada na Região Norte de Minas, faz parte da Cordilheira do Espinhaço, um lugar que concentra incontáveis nascentes, cachoeiras e veredas, além de ter fauna e flora exuberantes. Com períodos longos de seca, a região sofre pela pouca quantidade de água vinda das chuvas, que muitas vezes não conseguem dar conta do trabalho de produtores rurais e da manutenção dos cursos d´água já existentes. Pensando nisso, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas começou a desenvolver por lá um projeto hidroambiental chamado Proteção das Águas do Cabral, que construiu com os recursos vindos da cobrança pelo uso da água mais de 370 bacias de captação pluvial, mais conhecidas como barraginhas, e cercou 4 mil metros de nascentes e veredas nas comunidades de Bananal de Cima, Bananal de Baixo e Riacho Magro, em Várzea da Palma. O resultado do trabalho é uma comunidade com um lençol freático alimentado durante todo o ano e águas da chuva que minam depois de alguns meses. Para conhecer mais, assista ao vídeo do projeto (link).

 

E você, conhece outros projetos de preservação e valorização das nossas águas? Compartilhe com a gente nos comentários!

 

Share

2 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *