Combate aos agrotóxicos: o que trabalhadores, ambientalistas e profissionais da saúde e educação podem fazer?

A série “Caminhos do Agrotóxico” chega à oitava reportagem com novas sugestões para que a sociedade civil possa se empoderar sobre as ameaças do PL do Veneno

Hoje o Brasil responde por 20% de todo o consumo de agrotóxicos do planeta. Também é um cos campeões em doenças e mortes de trabalhadores rurais causadas pelo contato direto com esse tipo de veneno. Mesmo assim, parte do setor do agronegócio e políticos ligados a eles querem realizar mudanças nas leis para afrouxar as regras de aplicação, diminuir o controle ambiental e sanitário e ainda abrir a possibilidade de uso de tipos proibidos na Europa. Uma dessas tentativas tem se concentrado num projeto de lei 6299/02, o polêmico “PL do Veneno”, que está prestes a ser aprovado na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Para ajudar a combater esse retrocesso, na última reportagem, trouxemos diversas sugestões para que os consumidores entrem na luta pelo direito ao amplo conhecimento sobre o tema antes da votação do PL do Veneno. Agora, nessa reportagem, concentramos em dicas para que os próprios trabalhadores rurais, ambientalistas, pesquisadores e profissionais da saúde e educação possam agir.

Se você é ambientalista, professor ou profissional de saúde e deseja ter contato com materiais relevantes sobre o tema ou organizar um debate no seu local de trabalho, recomendamos que entre em contato com o Fórum Mineiro de Combate aos Agrotóxicos. Para entrar em contato é só enviar uma mensagem para forum.mg.de.combate.aos.agrotoxicos@gmail.com.

Inicialmente, recomendamos também que você conheça o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pela Ministério da Saúde  e que foi incluído como uma das metas do Plano Plurianual e do I Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (link). Ele apresenta um conjunto de informações e recomendações sobre alimentação que objetivam promover a saúde de pessoas, famílias e comunidades e da sociedade brasileira como um todo.

 Se você está na universidade, conheça os Núcleos de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs). Estes são centros de referência que atuam em atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas para práticas de agroecologia e sistemas orgânicos de produção. Envolvendo professores, estudantes e a comunidade do entorno das instituições federais e estaduais, eles podem ser uma alternativa para quem está no meio acadêmico e deseja se engajar.

 

Lista de alguns NEAs em Minas Gerais

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFLA – LAVRAS/MG

Telefone: (35) 3829-5171

Responsável:  Thiago Rodrigo de Paula Assis

Email:  trassis@yahoo.com.br

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UNIMONTES – JANAÚBA/MG

Telefone:  (38) 3821-2756

Responsável:  Virgílio Jamir Gonçalves Mota

Email:  abriluni2002@hotmail.com

Site:  Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFMG – BELO HORIZONTE/MG

Telefone:  (31) 3409-2568

Responsável:  Rodrigo Pinto da Matta Machado

Email:  mattamac@icb.ufmg.br

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFV-VIÇOSA/MG

Telefone: (31) 38991045

Responsável:  Irene Maria Cardoso

Email:  irene@ufv.br

Site:  Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFU – UBERLÂNDIA/MG

Telefone: (34) 3210-5643

Responsável: Cristiane Betanho

Email: crisbetanho@fagen.ufu.br

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFMG – MONTES CLAROS/MG

Telefone: (38) 21017730

Responsável: Márcia Martins

Email: mmartins07@gmail.com

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UNIMONTES – MONTES CLAROS/MG

Responsável: Lize de Moraes Vieira da Cunha

Email:  lizeagroecologia@gmail.com

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFJF – JUIZ DE FORA/MG

Telefone: (32) 2102-3800

Responsável: Leonardo de Oliveira Carneiro

Email: leo_car@terra.com.br

Site:  Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFVJM – DIAMANTINA/MG

Telefone: (38) 3532-6062

Responsável: Valter Carvalho de Andrade Júnior

Email:  valterjr@pq.cnpq.br

Site:  Centro de referência em estudos e desenvolvimento de tecnologias para a agroecologia e para a produção orgânica na UFVJM.

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFU – MONTE CARMELO/MG

Telefone: (34) 3842-8751

Responsável:  Adriane de Andrade Silva

Email: zoodrika@gmail.com

Site: Pecuária leiteira

Núcleo de Estudo em Agroecologia – UFVJM – DIAMANTINA/MG

Telefone: (38) 3532-1200

Responsável:  Claudenir Fávero

Email: claudenir.favero@pq.cnpq.br

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – EPAMIG – BELO HORIZONTE/MG

Telefone: (31) 34895062

Responsável: Juliana Carvalho Simões

Email: jcsimoes@epamig.br

Site:  Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – EMBRAPA MILHO E SORGO – SETE LAGOAS

Telefone:  (31) 3027-1881

Responsável: Walter José Rodrigues Matrangolo

Email: walter.matrangolo@embrapa.br

Site:  Núcleo de Estudo em Agroecologia

Núcleo de Estudo em Agroecologia – EPAMIG – VIÇOSA/MG

Telefone: (31) 3891.2646/3899.5223

Responsável: Paulo Cesar de Lima

Email: plima@epamig.ufv.br

Site: Núcleo de Estudo em Agroecologia

 

Se você é agricultor e deseja abandonar o uso de agrotóxicos, vale dizer que a conversão para a produção agroecológica ou orgânica não é feita do dia para noite, a partir de uma receita única. A transformação para recuperar a fertilidade e o equilíbrio ecológico da propriedade, de modo que o uso de agrotóxicos se torne desnecessário e indesejável, é um processo gradual que varia de propriedade para propriedade. A transição deve acontecer a partir da experiência acumulada pelos próprios agricultores, mas também pode demandar orientação e acompanhamento.

Como produção agroecológica e orgânica vem crescendo no país e no estado, atualmente existem muitas entidades que fornecem serviços de assistência técnica e extensão rural e que podem ajudar nesse processo.

Em Minas Gerais, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), por exemplo, vem desenvolvendo e estimulando a transição para a agroecologia. Ali, os trabalhos são desenvolvidas a partir da demanda e da necessidade do agricultor, que interage com o técnico da entidade que tem o papel de acompanhar o dia a dia da produção.

Para saber mais informações, procure o escritório da Emater-MG em sua cidade. Ela está presente em cerca de 790 municípios do Estado. Porém, nem todos esses escritórios já fornecem assistência dentro do modelo agroecológico. Se o técnico local não tiver a formação na temática, ele demandará cursos que serão oferecidos na região.

Para saber onde encontrar um encontrar um escritório da Emater-MG, clique aqui: link

 

 Organizações Não Governamentais

Uma outra alternativa para quem é agricultor familiar em Minas Gerais e deseja eliminar o uso de agrotóxicos é procurar ONGs que atuam em diferentes regiões do estado auxiliando na transição agroecológica.

CAA- MG – O Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas é uma organização de agricultores e agricultoras familiares do Norte de Minas Gerais, que desde 1985 desenvolve ações em torno da sustentabilidade, da agroecologia e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

Telefone: (38)3218 7700

E-mail: falecom@caa.org.br

https://www.caa.org.br/

 

CTA – MG – O Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM), fundado em 1987, é uma organização da sociedade civil que promove a Agroecologia como estratégia para o desenvolvimento social e econômico da agricultura familiar.

Telefone:  (31) 3892-2000

E-mail: cta@org.br

https://ctazm.org.br/

 

REDE – MG – A Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, criada em 1986, que tem como missão contribuir para a construção de uma sociedade sustentável e para a melhoria da qualidade de vida de comunidades do campo e da cidade, por meio do fortalecimento da agroecologia e da agricultura urbana. Atualmente a Rede atua na região metropolitana de Belo Horizonte e na região leste do estado.
Telefone: (31) 3421-4172

http://redemg.org.br

 

CAV -MG – O Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV) tem seu trabalho pautado em três eixos principais: água e ambiente; agroecologia e empreendimentos solidários; e empoderamento das mulheres. Atuando no Vale do Jequitinhonha, ele busca aliar os conhecimentos técnicos acadêmicos com o saber e a vivência dos agricultores para desenvolver de forma sustentável a agricultura familiar da região.

Telefone: (38) 3527-1401

E-mail: comunicacao@cavjequi.org

http://www.cavjequi.org/

 

CAT – MG – O Centro Agroecológico Tamanduá  (CAT) foi fundado em 23 de setembro de 1989, com a missão de promover o desenvolvimento da agricultura familiar e a agroecologia no médio Rio Doce. Suas ações são direcionadas para promover o acesso das comunidades rurais à informação, assim como a tecnologias necessárias para o seu desenvolvimento, além de apoio técnico, mobilização e articulação junto aos poderes governamentais, entre outros.

Tel: 33 3225-4818

E: mail: catgoval@hotmail.com

facebook.com/CATgoval

 

O Pronaf Agroecologia

No processo de transição agroecológica, existem algumas dificuldades, como a falta de recursos. É aí que entra as linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que possibilita o financiamento de atividades voltadas para a transição agroecológica e também para a produção orgânica pelos agricultores familiares.

O Pronaf Agroecologia é concedido a agricultores familiares que apresentarem projeto (assinado por um técnico credenciado) para sistemas de produção de base agroecológica, ou em transição para esses sistemas. Ele pode incluir os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento em até 35% do valor financiado. O limite por beneficiário é de até R$ 150 mil a cada ano agrícola, podendo chegar até R$ 300 mil, para atividades de suinocultura, avicultura e fruticultura. O prazo de reembolso é de até 10 anos, incluídos até três anos de carência. Os juros são de 2,5% ao ano.

Mais informações podem ser encontradas aqui: link

 

Associando a um grupo de consumidores

Quando você produtor vende para um atravessador ou para o supermercado você ganha muito pouco. Procure pessoas que gostem do seu trabalho e que vão sustentar a sua produção.  Uma alternativa é associar-se a uma Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA).

Para saber com iniciar um CSA clique aqui

Se está em Minas, e já produz sem agrotóxicos, cadastra-se na CSA MINAS

 

Ainda sobre o PL do Veneno, que está para ser votado no congresso

Leia a íntegra do projeto de lei, clique aqui.

Para ler todas as notas técnicas já divulgadas contra a proposta, clique aqui

Para ler o que o Lei.A já publicou sobre o risco dos agrotóxicos para o meio ambiente e a saúde humana, clique aqui.

 

Próxima reportagem

Na próxima reportagem da série “Caminhos do agrotóxico”, nós do Lei.A vamos trazer algumas ações do Fórum Mineiro de Combate aos Agrotóxicos pretende fazer para conscientizar a bancada mineira no Congresso Nacional a dar mais tempo à população para tomar conhecimento sobre o PL do Veneno e suas ameaças.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *